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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

cotidiano II

ainda é fim de tarde,
pela varanda já consigo ver rente ao horizonte o véu da noite
cavalgando ao nosso encontro. 
ainda é domingo,
você repousa serena em nosso leito amado,
da escrivania a qual escrevo esses versos, vejo os últimos raios
do sol tocando sua panturrilha, sua tatuagem.
Lhe vejo apalpando impacientemente os lençóis buscando algo, 
é lindo escrever sobre teu jeito, sobre você,
decifrar pouco a pouco teus sinais,
entender seus pedidos implícitos no sorriso,
suas sanções expostas no olhar.
Por falar em entender, 
já é hora de desligar a vitrola,
apagar o abajur, fechar a escrivania,
e lentamente retornar para o seu lado
na cama, que é onde eu deveria estar. 

-e.m(2016)

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