Se inscreve ai, nunca te pedi nada...

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Desculpa o português ruim, mas preciso falar sobre ela.

Preciso contar sobre os cachos do seu cabelo, a maestria do seu jeito e o gosto do teu beijo.
Sempre acreditei que a chave para a alma está no olhar, e por causa desse bendito olhar que sobre ela eu escrevo.
A maioria dos meus amigos me praguejavam, diziam que eu iria viver um amor como as minhas poesias, ou seja, tão lindo e tão doloroso, tão romântico e tão sacana, uma simples e pura dicotomia, uma mistura de muito amor e muito saudade.
 Por pura sacanagem lá estava meu problema mexendo no cabelo, encarando o espelho carregado de vapor barato, só consegui vê-la em um primeiro momento de relance, ao mesmo tempo algum amigo me chamou a atenção e tive de desviar  o olhar para conceder ao ser carente a atenção necessária, porém, nesse fragmento de segundos consegui  avistar uma amiga próxima a tocar nos ombros e trocar alguns sorrisos, mentalizei que essa minha amiga, seria a ponte para essa misteriosa dama que para o espelho sorria.
Após muita adulação, suborno, chantagem emocional consegui o nome dela para iniciar a busca desenfreada pelas redes sociais, buscando pequenos fragmentos, detalhes, gostos para assim puxar assunto ( agora escrevendo isso, me sinto  como um real psicopata), e permita-me confessar,  de tudo que achei, só uma coisa estava muito mentalizada de fato ela era linda.
Após vinte quatro horas bebendo coragem, puxei assunto e por mais incrível que isso possa parecer ela respondeu, a conversa ia bem, dia após dia trocávamos mensagem, alguns poemas, musicas, um pouco das nossas vidas, a cada dia mais me sentia abraçado por esse sentimento estranho, essa poesia na nossa historia, a completude dos nossos gostos .Foi em uma quinta-feira, aparentemente rotineira – trabalho, faculdade, casa- que recebi o seu convite para ir a praia com ela. Permita-me fazer um adendo, sempre me considerei um viciado em trabalho e gostei de praias, mas adivinha qual foi a resposta para o convite? Claramente respondi que sim, dei uma desculpa no trabalho, vesti uma roupa mais leve e parti ao seu encontro, assim que estava em sua presença o magnetismo foi superior a qualquer coisa.
Deixa-me  explicar, sempre tive a ideia que as pessoas emitem um campo magnético  e esse é que fazem as pessoas ao redor serem atraídas ou repelidas, como é comum se ouvir aqui em minha terra natal “O santo bate ou não”. Voltando ao enredo, chegamos à bendita praia do porto da Barra e o olhar dela era magico, nossa conversa encaixava, quando entramos no mar ( mesmo sem eu saber nadar) tive plena certeza que nossos corpos também se encaixavam perfeitamente e foi assim que todos meus versos se fizeram mulher, que meus sonetos se encaixaram no nosso beijo, que tudo que escrevi nas semanas anteriores e após nosso encontro se resumia em seu olhar refletindo todo o mar.
Como toda historia de amor trágica, digna de uma ópera italiana após alguns encontros, muitos beijos, lugares lindos, poesias, mini livros, textos sobre o amor, textos sobre ela, flores, livros, olhares encantados, fomos nos perdemos aos poucos.
Ela me negava seus beijos e eu já não sabia se os mesmos me faria bem, pouco a pouco o assunto não rendeu, o desejo escapou entre os dedos, a chama que me aquecia, como fim de alguma poesia minha foi se apagando, ainda que os abraços continuassem sinceros.
Esquecemo-nos por um tempo, nos encontrávamos em lugares públicos sem muito contato, outros dias, sem juras, sem promessas, ela sem ninguém e eu sem ela, entretanto nossos olhares se encontravam e dava para perceber a magia ali presente, e como uma droga é nesse olhar que sou puramente viciado.
Vinicius de Moraes certa vez disse que “todo grande amor só é bem grande se for triste”, outro alguém disse que vivemos em ciclos, como a maré, logo tudo que vai inevitavelmente volta.
Nestes termos, após já conseguir conviver com sua ausência no meu dia a dia , como diria Neruda “entre as nossas cidades separadas as noites, uma a uma, juntam-se à noite que nos une”  e  numa dessas noites poéticas, foi como a primeira vez, a eternidade, a poesia, o amor, compartilhamos a nossa saliva, a esgrima de nossas lingas, Relicário tocando no som do carro, eu dela e ela totalmente minha.

E como todas minhas poesias, o fim!

Nenhum comentário:

Postar um comentário