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sábado, 7 de maio de 2016

Confessionário

-Perdoe-me padre, pois eu pequei.
- Diga-me filho, quais os teus pecados?

A insonia é um mal, que não tem estudo, mandinga, chá, carneirinhos que me ajude, ainda mais se tiver pensando nela.
Se fechar os olhos posso jurar que consigo sentir o vento daquela manha tocando minha face, tinha tudo para ser uma quinta-feira normal, seguindo sempre a mesma sucessão de fatos, a mesma vida mesquinha e sem nada de muito interessante em que me via enfiado.
Tudo saia como planejado até a mensagem dela, simples e direta sugerindo um encontro pela tarde ser exibida na tela do meu celular. Sobrecarregado de saudade e desejo por mais dos teus beijos respondi incisivamente o sim, afinal, pensar nela era o prazer dos meus dias.
Como posso por em palavras como ela é, e por que esse efeito todo sobre mim? Vale ressaltar que ela era na época uma estudante de designer, professora de dança assim como eu, morena, cabelos longos, varias tatuagens por todas suas curvas, e por acaso ou brincadeira do destino eu a conheci em uma dessas aulas desgostosas de dança de salão que frequentava. Em resumo, um sorriso de vários quilates, um corpo magnifico e uma personalidade linda.
Como resistir a isso tudo? a esse ser humano lindo? Parafraseando um bom amigo e já pedindo desculpa ao senhor “ o diabo é sujo”.
Até o nosso encontro fui um total peso morto, não conseguia trabalhar, estudar, ou qualquer coisa que cobrasse de mim um pouco de racionalização. Minha mente não parava, a mil por hora, pensando em tudo e nada ao mesmo tempo, até ela surgir caminhando com os cabelos ao vento, um vestido branco e vestindo seu mais belo sorriso. Tudo parou, o transito, os aviões, os passarinhos e toda coesão que estava ocorrendo em minha mente, ela realmente parava o transito.
Era tarde em itapuã, o mar estava sereno, a brisa suavemente tocava o rosto dela, assim como o sol, por um momento até senti ciumes deles e ela riu de mim. Tocava em nosso fone compartilhado um blues enquanto nos beijávamos, nossos abraços se encontravam e nossos corpos se amavam.
Foi amor como se o mundo fosse acabar, não conseguia parar de olhar para ela, contemplar suas tatuagens ao sol, seu sorriso sem graça.
Não preciso nem me esforçar para lembrar daquela tarde, a memoria, as imagens são latentes em minha mente, antes de irmos embora ela me jogou no muro, e me roubou um ultimo beijo. 
Nossos corpos estavam a se despediram, mas, nossos olhos estavam cruzando a Dorival, fazendo os nossos votos, prelúdios amorosos, eu era dela e ela sussurrava que era minha.
Entrei no carro e dirigi até meu trabalho e naquela noite nada importava eu estava pensando nela, confundi os nomes das pessoas ao meu redor, pelo dela e após algum tempo ela confessou que passou o restante do dia pensando em mim.
Todo problema de quesito “pecatorio”, imoral, sacana, e etc e tal estava em volta de mim, e não dela. Girava em tono do fato que eu era compromissado e ela de certa maneira também com ela mesma. Só que padre o meu pecado não foi o adultério, foi ter abandonado ela, meu verdadeiro amor para viver uma novela, foi ter sido covarde e escolhido a estabilidade em face daquela que me tinha meu coração, foi ter perdido a oportunidade de felicidade duradoura, por pura fantasia “casamentalistica”.

Essa é minha confissão, esse é meu pecado, ela é a causa da minha insonia, ela é a causa da minha saudade, e isso tudo é o meu atestado de insanidade.



These are my confessions.

Por: E.M 

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