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quarta-feira, 18 de maio de 2016

Bom dia!

- Era então quarta-feira, o relógio que solitariamente velava o nosso sono marcava em seus ponteiros cinco horas e vinte, o horário ideal para ver a mais graciosa manifestação de beleza da natureza.
O sol timidamente começava irradiar luz através da janela lateral, rompendo o breu instalado em todo recinto, já era possível ver a garrafa de vinho aberta, acompanhada de uma taça marcada com batom vermelho, sobre o criado mudo. A cada feixe de luz que percorria o quarto, mais bela ficava sua silhueta, o cobertor branco na altura das nádegas tornava ainda mais singela aquela imagem que era refletida aos meus olhos ainda remelentos.
O sol tocava seus pelos, e parte por parte do seu corpo que se mostrava desnudo, revelava-se. “de fato, seria um puto pecado me movimentar agora” pensa.
Os passarinhos fazendo sua festa matinal na mangueira de fronte a capela, tornando ainda mais magico aquele espetáculo, a este momento o sol já rompeu toda a escuridão que existia, e suas tatuagens estão expostas a luz do novo dia, sua respiração se torna visível, os movimentos das costelas, e a forma delicada que a brisa toca uma parte da sua franja avermelhada. O telefone toca, é o despertador dizendo que já passará da hora de levantar, um movimento brusco para interromper o barulho que irá se instalar em poucos instantes, acabando com toda a serenidade, momento 007 com a efetiva realização da missão, nada de despertador, não hoje. “Será que consegui? Será que ela ainda continua dormindo?” se indaga tentando voltar à posição anterior sem causar qualquer ruído. Os olhos verdes já estão despertos, o sorriso matinal radiante no rosto dela e assim pode se ouvir o mais belo bom dia, pelos lábios dela.
Após este amanhecer, aos poucos se remonta pequenas lembranças da noite anterior. O sino da igreja anunciando o iniciar da missa, algum carro pulou o quebra-molas na avenida, a campainha toca e tudo se aquieta, é ela. O coração palpitando, a mão suando sem conseguir girar a maçaneta, foram segundos difíceis até enfim conseguir e receber um lindo sorriso. Parto para cozinha, a comida não sai como esperado, o vinho de safra desconhecida que fora presente do chá de casa nova enfim terá alguma utilidade, as taças, os pratos, talheres, tentando dá uma de mestre cuca e ela rindo de todo o estrago causado ao pobre frango que iria ser nosso prato. Optamos por pedir algo, e a sobremesa ficava por minha conta. Comida japonesa se fez vitoriosa, e a sobremesa foi pudim que a minha mãe de forma entusiasmada ensinou a fazer pelo telefone. Vinho, conversa, filosofia, poesia, o nervosismo, mais vinho, olhares, silencio, duvida se deve tomar alguma atitude, ela ignora, avança, beija, toques suaves, mais beijos, do sofá para o batente da cozinha onde restavam as embalagens da comida solicitada, nos melamos acidentalmente com molho shoyo, rimos, partimos em direção ao quarto, ela em meus braços, menos e menos roupas, peças por peças vão conhecendo o chão do corredor, cama, chão, corredor, cama, cervejas, caricias, e mais dela, horas e horas afins, conversas e sono. Um ultimo pensamento antes de mergulhar em sono profundo.
E o resto da historia você já sabe.

(Por Elder Malaquias) 

In Memorian A.P.C ♥

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