Se inscreve ai, nunca te pedi nada...

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Sobre as tais ruas alagadas

Jurei a mim mesmo que não entraria em ninho de cobras, para não dar asas a tentação. Porém não consegui negar carona a ela naquele fim de expediente, era uma moça jovem, atraente, dona de um corpo muito bem esculpido pela academia e pela vida, distribuindo isso tudo em seus 1,65 de altura. Nós éramos colegas na mesma firma de advocacia, ela sempre que podia me dava uma indireta, quais sempre resisti, sempre tirei de tempo, só que era segunda-feira, tava chovendo muito e ela coitada estava sem carro e muito linda dentro daquele modelito nada casual ou formal dela, blusa de cetim, saia cós alto, saltos pretos e um olhar que só de lembrar me consome o desejo, pedindo com jeitinho uma carona.
Entrou no meu carro reclamando da chuva, enquanto isso eu procurava alguma musica entre as milhares do meu celular, nunca tinha reparado mais ela tinha uma tatuagem parecida com a minha, mais isso não vem o caso. No meio do caminho nos deparamos com a pista totalmente vazia e completamente alagada, meu carro por ter os vidros escuros, já estavam por si só todos embaçados, não dava para ver mais nada, em resumo estávamos ilhados. A chuva açoitava a lataria do carro sem piedade, começou a fazer frio, o aquecedor pifou só nos restou o radio ligado e um ao outro como cobertor. Como em surto nossos olhos se encontraram como dois animais olhando um ao outro reciprocamente como presa, só consigo me lembrar de estar arrancando a blusa de cetim enquanto ela tirava os saltos com uma mão ,abria o meu cinto e o zíper da calça com a outra enquanto me beijava, fomos para o banco de trás, nos devoramos como selvagens, suas mãos faziam marcas na janelas enquanto ela com seu belo gingado rebolava e me arranhava com gosto, sentada no meu colo de frente pro mundo e de costas para mim, variávamos entre posições e caricias, seu gemidos pulsavam junto com a musica que tocava no radio, era somente nos dois, ilhados, solitários, dentro do carro fazendo amor ao som de blues.
Foi uma noite intensa, acabaram-se as camisinhas, ainda assim consentimos em continuar... Amanhecemos no reboque de um amigo que passava pelo caminho reconheceu o meu carro e o rebocou sem saber que estávamos dentro. Ela despida, dormindo nos meus braços com a mão no que ela achara de precioso entre minhas pernas, e eu pensando no que isso ia dar e deu. Ela não tomou a pílula do dia seguinte, não tivemos muito tempo para pensar nisso, passamos três dias variando entre minha cama e a dela, vivendo uma verdadeira lua de mel, alguns dias depois descobrimos que formaríamos uma família, em quatro que seria um menino e uma menina, em nove que deveríamos casar e no fim só temos que agradecer as ruas alagadas de Salvador, por que no fim ainda saímos por ai para lembrar aquela noite.

Às vezes o amor só precisa de um pouco de coincidências e chuva para nascer.
(Elder Malaquias)

Nenhum comentário:

Postar um comentário