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terça-feira, 5 de maio de 2015

consciência

Tinha saído de casa cedo, acabou por inventar alguma desculpa sem pé nem cabeça para sua esposa, passou perfume rápido, vestiu a primeira roupa que viu ,esqueceu-se da barba e das camisinhas, buscava coragem para dar prosseguimento no que de modo inocente começou, “a mulher” como ele chamava (em homenagem a Irene Adler), o olhava atentamente todo santo dia, como se lhe devorasse com o seu olhar esverdeado bem destacado em sua cabeleira vermelha e pele branca tatuada. Até onde iam essas a tatuagens e quantas são? Pegou-se dias pensando nisso e em outras coisas que preferiu não contar, graças ao amigo do TI da empresa, o famoso pegador, conseguiu o numero dela, pois fogo no estopim. Começou deixar a aliança no carro, chegar mais tarde após o trabalho, estava preso a aquela mulher de nome forte, Catarine.
Aquela noite iria ser diferente, ela escolhera o local onde se encontrariam, tinha prometido a ele algo novo, algo diferente. Estava no saguão de um grande hotel, encheu o peito de ar tentando controlar a ansiedade, nunca chegou a ver nua, nunca transaram, só saiam e conversavam e se beijavam, pareciam adolescentes.
Subiu para o 8º andar, entrou no quarto de numero apagado e portas bonitas de madeira maciça e lá estava ela, vestida em uma bela lingerie segurando um copo de uísque e uma taça de vinho.
- Demorou de chegar! disse com voz sedutora.
- Foi o transito,você sabe como é a paulista esse horário.
- Sei sim, vai querer tomar um pouco de uísque agora ou prefere tomar um banho comigo?
- Na verdade quero ficar um pouco aqui sentado te admirando .
Nesse momento ele gelou, se perguntou o que estava fazendo? Aquele não era ele, tinha uma bela mulher em casa, dedicada, inteligente, também tatuada e que estava sempre com ele. 
Com a consciência pesada, perdeu o fio da coisa, foi embora o mais rápido que pode.

Chegou em casa sua mulher já estava adormecida no sofá, ele sabia que ela tinha chorado o dia praticamente todo, sabia que ela sentia a traição, a pegou no colo, levou ao quarto pediu desculpas umas mil vezes e velou o sono da mulher mais linda para ele, a única que deveria fazer seu peito de travesseiro.
(Elder Malaquias)

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